Minas de Eldoril
Radiantia · Perigo 6/10
Nas camadas fundas de Eldoril, longe das lanternas dos mineradores.
Réptil comprido de escamas cinza-chumbo que cresceu longe de qualquer lanterna. Ninguém o procura: ele é quem encontra quem desce fundo demais.

Corpo comprido e baixo, coberto de escamas cinza-chumbo que imitam a pedra a ponto de o bicho sumir contra a parede da galeria. Uma crista óssea corre da testa até o meio das costas, e os olhos amarelos e fixos não piscam, nem quando o corpo se arrasta com o som de pedra raspando pedra. O ar ao redor cheira a terra funda e a ferrugem, e a cauda, grossa como um tronco, varre o chão com a calma de quem nunca teve pressa.
Réptil comprido de escamas cinza-chumbo que cresceu longe de qualquer lanterna. Ninguém o procura: ele é quem encontra quem desce fundo demais.
Todo basilisco começa pequeno, e disso pouca gente se lembra. Entra por uma fenda onde só caberia um dedo, cresce comendo o que o escuro esconde e, quando o escuro já não comporta o tamanho que ele tem, descobre que o mundo tem outras tocas. Os mineiros dizem que ele não caça: espera. Eu nunca vi bicho que esperasse tão bem sem jamais ter aprendido o que é esperança. Quem o encara de perto aprende duas coisas. A primeira é que a luz não o afasta; ele não teme o claro, só nunca precisou dele. A segunda é que a crista óssea que carrega nas costas não é enfeite: é o diário de uma vida inteira de paciência, camada sobre camada. Quem a leva depois da luta leva também uma lição, e anotei isso no livro, claro: o mais perigoso das galerias fundas nunca é o que ruge.
Em qualquer região que tenha um local deste tipo.