Rio Elandor
Radiantia · Perigo 2/10
A correnteza dourada do amanhecer no Rio Elandor, que de tanto repetir o milagre ganhou vontade própria.

Coluna de água cor de ouro líquido, com mica em suspensão que brilha como escamas ao sol. Não tem rosto: o corpo se desfaz e se refaz a cada golpe, e o som é o de uma cachoeira distante que aprendeu a andar. Onde passa, a margem fica molhada e luzidia, como se alguém tivesse polido a pedra.
A correnteza dourada do amanhecer no Rio Elandor, que de tanto repetir o milagre ganhou vontade própria.
Sentem-se, que essa é das que o rio conta de manhã. Nos primeiros minutos do sol, a água do Elandor vira ouro, e faz isso todos os dias desde antes de haver quem a olhasse. De tanto repetir o fenômeno, meus caros, uma parte dela aprendeu o gesto e passou a se mover sozinha. Não nasceu para ferir ninguém: só descobriu que existe, e que existir, para quem é água, dura pouco e dói menos ainda. Aparece com mais força logo depois do amanhecer, e quem a enfrenta nessa hora luta contra o próprio rio.