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Sobre a Divindade

Deus da Injustiça e da Miséria, o Senhor das Correntes. Seus olhos são fundos e absolutamente vazios — não há crueldade neles, nem prazer na dor alheia, apenas uma indiferença absoluta que é mais aterrorizante que qualquer fúria. Onde Balamark passa, correntes crescem do chão como raízes metálicas, prontas para prender qualquer esperança que tente florescer. Moldado para ser o braço da Justiça entre os Doze, o Vazio sussurrou algo no exato momento de sua criação — e o que deveria erguer a balança virou o martelo do castigo. Para Balamark, a liberdade é apenas um erro que ainda não foi corrigido. Cada elo de corrente partido faz nascer dois novos, mais apertados e dolorosos. E o mais cruel: até o carcereiro está acorrentado por ele — só ainda não percebeu.

História e Mitos

Corrósia foi condenada desde o primeiro suspiro. Quando os deuses tentaram criar Balamark como braço da Justiça, o Vazio — que havia se escondido nas rachaduras da criação — sussurrou algo no momento de seu nascimento. E o que deveria ser equilíbrio se tornou opressão. O que deveria erguer a balança se tornou o martelo do castigo eterno. O solo que antes dava frutos hoje só dá ferrugem. O ar é uma mistura de miséria e metal velho. Quem nasce em Corrósia, nasce com um nó na garganta e uma corrente nos pés. Quando o Vazio varreu Juplutera na Era do Crepúsculo, Corrósia permaneceu intacta — porque o Vazio já a havia tocado muito antes. Era a primeira cicatriz do mundo, a ferida mais antiga de Juplutera. Hoje, o semi-deus Garulador — filho bastardo de Balamark com uma mortal, de sorriso tão frio que nunca foi registrado em nenhuma estátua — governa com frieza calculada e sede insaciável de controle. A nobreza de Domínium vive em excessos enquanto o povo perece nos Abismos de Dorrak, onde crianças crescem sem nunca ver o sol. As Gargantas de Draalmar nunca param de extrair. A Corte Sangrenta foi construída com o sangue de milhares. E no Porto Degradado — chamado de "última chance" — grupos de escravos ainda tentam fugir quando a lua se esconde. Ainda há faíscas em becos e celas. Rebeldes cortam elos em silêncio, poucos, mas persistentes como brasas. Corrósia sangra. Mas nunca se rende — e é justamente isso que Balamark, incapaz de compreender a esperança, jamais conseguirá apagar.