
Aranha
insectoide
16 PV
Lv.4
A Corte Sangrenta é um canal de irrigação de vinte quilômetros de extensão que corta Corrósia de leste a oeste, construído para levar água das nascentes do norte até os palácios e jardins de Domínium. O canal em si é uma obra de engenharia impressionante: revestido de pedra polida escura, com bermas regulares e um sistema de comportas que regula o fluxo. A água que corre nele é estranhamente clara considerando a origem — mas quem souber a história hesitará antes de tocá-la. Nas margens, flores vermelhas crescem com uma abundância desproporcional, suas raízes descendo até o nível do canal. Os gardeners de Domínium que cuidam das margens foram instruídos a nunca remover essas flores — não por estética, mas porque, na única vez em que tentaram, as flores voltaram no dia seguinte, mais densas do que antes. Em dias de muita chuva, quando o nível do canal sobe, a água fica levemente avermelhada por algumas horas. Os engenheiros de Garulador têm uma explicação técnica para isso envolvendo depósitos minerais. Os mais velhos de Dorrak têm outra explicação que não precisam articular.

A Corte Sangrenta é um canal de irrigação de vinte quilômetros de extensão que corta Corrósia de leste a oeste, construído para levar água das nascentes do norte até os palácios e jardins de Domínium. O canal em si é uma obra de engenharia impressionante: revestido de pedra polida escura, com bermas regulares e um sistema de comportas que regula o fluxo. A água que corre nele é estranhamente clara considerando a origem — mas quem souber a história hesitará antes de tocá-la. Nas margens, flores vermelhas crescem com uma abundância desproporcional, suas raízes descendo até o nível do canal. Os gardeners de Domínium que cuidam das margens foram instruídos a nunca remover essas flores — não por estética, mas porque, na única vez em que tentaram, as flores voltaram no dia seguinte, mais densas do que antes. Em dias de muita chuva, quando o nível do canal sobe, a água fica levemente avermelhada por algumas horas. Os engenheiros de Garulador têm uma explicação técnica para isso envolvendo depósitos minerais. Os mais velhos de Dorrak têm outra explicação que não precisam articular.
O rio original que existia onde hoje fica a Corte Sangrenta era chamado de Canção-das-Pedras pelos habitantes pré-Balamark de Corrósia — uma referência ao som que a água fazia ao correr por uma formação específica de pedras perto da nascente. Era um rio de acesso público, compartilhado por todas as comunidades da região. O predecessor de Garulador que ordenou a construção do canal queria uma conexão direta entre as nascentes do norte e Domínium sem que a água "tocasse" em assentamentos de pessoas comuns no trajeto. A construção levou doze anos e custou, nos cálculos dos historiadores de Abssalia que estudaram o caso de longe, algo entre sete e doze mil vidas — uma estimativa imprecisa porque Corrósia nunca manteve registros de trabalhadores mortos em obras, apenas de toneladas de pedra movidas. Quando a obra terminou, o rio original foi represado e desviado, tornando-se a "cicatriz seca" que ainda existe paralelamente ao canal. Balamark olhou para o canal terminado e os sacerdotes registraram que o deus deu o único sorriso de que há registro na história de Corrósia. A anedota está em um único texto, escrito por um sacerdote que claramente não sabia se estava registrando uma conquista ou uma confissão.
Resquícios de civilizações antigas com segredos ocultos.