Fronteira de Cinzassol
Radiantia · Perigo 8/10
Cão nascido das cinzas das batalhas, que ronda a Fronteira de Cinzassol atrás de quem cruza o campo. Os soldados dos fortes o tratam como assombração a ser caçada.

Magro, de pelagem cinzenta que se confunde com a poeira do campo, solta fagulhas a cada passada e deixa um rastro de brasa apagada. Os olhos são dois carvões acesos, e o latido soa mais como vento em armadura vazia do que como cachorro. Quando para, o chão em volta escurece, como se a própria cinza se juntasse a ele.
Cão nascido das cinzas das batalhas, que ronda a Fronteira de Cinzassol atrás de quem cruza o campo. Os soldados dos fortes o tratam como assombração a ser caçada.
A fronteira nunca conseguiu limpar as cinzas de milênios de batalha, meus amigos, e só a grama dourada da primavera as esconde. Mas elas continuam lá embaixo, e numa noite que ninguém soube marcar juntaram-se em forma de cão. Não tem dono nem bando: segue o rastro de quem cruza o campo, talvez em busca de alguém que as batalhas lhe tiraram, e os soldados dos fortes o tratam como assombração que precisa ser caçada. Já vi soldado velho, daqueles que juram não ter medo de nada, deixar sobra de comida na muralha à noite e dizer que era para o vento. O vento, claro, nunca aparece para jantar.